A prescrição de Omeprazol junto com AINES previne a incidência de gastrite?

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Utilizar o Omeprazol associado aos AINES como forma de prevenção de gastrite é uma prática comum e muito difundida entre profissionais de saúde. A alegação refere-se a uma provável prevenção dos sintomas dispépticos ou até da gastrite que poderia ser induzida pelos AINES ou outros fármacos que podem provocar lesões no TGI.

Este é um tema sujeito a mitos repetidos e superficiais que são tomados como verdadeiros pelas pessoas. Como forma de lançar novos dados sobre este tema, preparamos um resumo do Centro de Informação sobre Medicamentos – Área Técnica de Assistência Farmacêutica, da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Veja a análise divulgada.

Uso de Omeprazol na prevenção de gastrite

Sabe-se que a prevenção de “gastrite” só tem indicação de Omeprazol nas situações relacionadas abaixo:

a) Erosões gastroduodenais e úlcera gástrica ou duodenal relacionada a AINEs, 20 mg, 1 vez ao dia, por 4 semanas, continuada por mais 4 semanas se não houver cura completa.
b) Profilaxia em pacientes com antecedentes de úlceras gástrica ou duodenal, lesões gastroduodenais, ou sintomas dispépticos no paciente que requer tratamento com AINEs de forma contínua, 20 mg 1 vez ao dia, com duração de tratamento a critério do especialista.

Consequências do uso não racional de Omeprazol em gastrites

Observa-se que a alegação frequente de uso de um Inibidor da Bomba de Prótons (IBP), como o Omeprazol, visando a prevenção de gastrite porque o paciente está utilizando vários remédios, não tem fundamento farmacológico. Outra imprecisão refere-se ao termo “uso contínuo” que é muito presente em receitas quando outros fármacos estão associados na prescrição.

Onde está a duração do tratamento e a reavaliação do quadro clínico do paciente quanto ao efeito terapêutico e reações adversas?

Embora não se possa negar os sólidos benefícios do uso dos IBP como o Omeprazol, parece existir problemas na absorção de cálcio insolúvel pois é necessário um meio ácido; há risco aumentado de fratura de quadril em pacientes que tomam IBP; má absorção de vitamina B, especialmente em pacientes idosos quando existe supressão ácida de longo prazo; além de várias complicações como atrofia gástrica em pacientes infectados por Helicobacter pylori e que fazem tratamento de longo prazo com IBP; e crescente aumento de casos de nefrite intersticial aguda, entre outras.

Reações adversas do Omeprazol e uso em gastrites

Lembremos dois pontos também importantíssimos: as reações adversas do Omeprazol e as orientações imprescindíveis aos pacientes para que a aderência ao tratamento seja aumentada.

Quanto as reações adversas mais comuns do Omeprazol temos:

  • Cefaleia
  • Dor abdominal
  • Tontura
  • Erupção cutânea
  • Diarreia
  • Náusea
  • Vômito
  • Constipação
  • Fraqueza e
  • Lombalgia.

As reações mais graves conhecidas são:

  • Agranulocitose
  • Alopecia
  • Pancreatite (raro)
  • Hepatotoxicidade (raro)
  • Alterações hematológicas
  • Fratura do quadril e
  • Nefrite intersticial.

Em relação às orientações, ressalte os aspectos:

  • Orientação para a ingestão das cápsulas com estômago vazio, 30 minutos antes de uma refeição (preferentemente no café da manhã), devendo ser engolidas intactas.
  • Para pacientes com problemas na deglutição, as cápsulas podem ser abertas antes da administração e os grânulos intactos misturados com pequena quantidade de purê de maçã ou bebida ácida, como suco de laranja ou iogurte. Os grânulos não devem ser mastigados nem misturados com leite.
  • O Omeprazol não deve ser utilizado para alívio imediato de ardência epigástrica, pois pode levar 1 a 4 dias para alcançar o efeito completo. Antiácidos podem ser administrados concomitantemente.
  • Reforçar a necessidade de evitar o uso de bebida alcoólica.

Sobre o Autor: Telmo Giani

Foto Curso Farmacologia OnlineTelmo Giani é Farmacêutico, Professor e Palestrante. Criou e desenvolve uma Metodologia Diferenciada de Estudo da Farmacologia. Ele consegue sintetizar em vídeos de 5 a 8 minutos as melhores Dicas, Orientações e “Macetes” sobre Doenças e Medicamentos. Já treinou mais de 12.000 Profissionais do Varejo Farmacêutico. Veja neste site: http://farmacologiaonline.com

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Leave A Reply (2 comments so far)


  1. Alexandre
    1 ano ago

    Além de ser hepatotóxico


    • Telmo Giani
      12 meses ago

      A hepatotoxicidade do omeprazol é um evento raro, mas não deve ser desconsiderada.

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